A Voz Do Silêncio -

Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E  fala  alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

(AD)

 



- Postado por: Isabel às 18h41
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~ Os Filhos ~

(Do Livro "O Profeta"

 Gibran Khalil Gibran

 

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."

 

E ele falou:

 

Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis dar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,

Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã,

Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.

O arqueiro mira o alvo na direção do infinito e vos estica com toda a sua força

Para que suas flechas se projetem rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como ele ama a flecha que voa,

Ama também o arco que permanece estável.

 



- Postado por: Isabel às 17h05
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Eu estava andando porai e a vi...
"muchila" nas costas , ar de quem tem muito pra contar
mas, prefere escrever ... então peguei meu banquinho e fui
lá .. no cantinhu dela só pra ler..a menina  embala as letras
com carinho e faz com que tenhamos um imenso prazer em  conhece-la..
das suas andanças pedi um dos poemas , pra enfeitar meu canto aqui ...
É com prazer que recebo minha amiga "Mochileira"
Obrigada por me dar este presente de estar  aqui.. beijo carinhoso

Isabel**
01/02/2011

 

SER humanamente SOLO.... 

 

Nunca fui árida!
Ontem...útero de outros plantios, com sabor de missão cumprida, me vejo em meus suculentos frutos alimentando a humanidade...
Hoje...solo úmido recém arado, me sinto preparada a novos plantios...deixo-me conduzir pelas forças da natureza que animam o universo...
A inquietude me visita, me revolve... percebo as mudanças a minha cerca...
Não conto mais o tempo pelo nascer do sol, mas, pelas fases da lua...
Abandono as fronteiras das frases prontas e me percebo solta na imensidão de SER HUMANO!
Ofereço-me com suavidade...
Comprometo-me acolher novas sementes...]

(V.Cruz)

http://vcruz66.blogspot.com

com carinho pra voce !!!



- Postado por: Isabel às 22h55
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 Sou uma mulher realizada vivo cada fase de minha vida a minha maneira,
amo a poesia, a musica e o Amor em todas as formas, sou sempre sincera,
mesmo que isso me custe perder quem amo.O mais dificil nessa vida é  conseguir
ser quem somos e "sermos aceito" assim, porisso há que se ter coragem, mas o
impossível não existe e Nunca é tempo demais.Destesto  julgamentos porque
jamais seremos justos, num veredicto, e nem cabe a nós inocentarmos ou condenarmos
alguém.
Amo a Vida em toda a sua plenitude, tenho um amor intenso e   vivo cada
pedaço dele, porque ele me faz sentir Livre. É preciso ter coragem pra
enfrentar esse "maluco" mundo em que vivemos, mas vamos brincar porque
a vida é uma brincadeira e não possuimos as pessoas , apenas às amamos.
Sejamos Felizes e que nos permitam sermos felizes, porque a vida é só
um "estalar de dedos". E nesta minha Vida, neste meu momento, estou me
atrevendo à rabiscar o que muitos chamam de Poesia.

Isabel**

:: AWARD ::


:: LEMBRANÇA DO BLOG ::


 

DESEJO


Nasce em meu peito um forte desejo,
De seguir-te pelas ruas, pela vida,
Como a quem ao som de dolorosas ladainhas,
Segue ao cortejo.
Cubro-te de flores,
Das mais variadas espécies e fragrantes odores,
Para endeusá-la em “imácula” beleza,
Que em cujos meus versos de humilde destreza,
Jorro-te em fontes de palavras, meus amores.
Desejo-te como o atleta deseja o grito da vitória,
A satisfação do dever cumprido,
Todos os sentimentos explodidos do peito
Onde momentos antes em cárcere tórpio reprimidos.
E a boca semi-abriu, na antecipação do beijo,
E o corpo reagiu em relâmpagos de sensações,
Onde misturam-se todas as emoções,
O sangue acelera em cavernosas esponjas de carne em um lampejo,
Tento disfarçar, mas não consigo,
Trago o teu gosto em lembrança, sempre comigo,
E explodimos juntos, ao sabor do desejo...


ARAMIS 30/10/07

 

VOEI

Voei sem asas
Numa noite escura.
A chuva caía
Na planura
De um sitio sem casas
E eu voava.
O vento rugia
Fazendo secura
Nas terras rasas
E eu voava.
A neve caia
Branca e pura
De salpicos fugazes
E eu voava
E voei, voei, voei…
Então
Sorte danada
Em teu dorso eu pousei
E acordei.
Senti o calor
Do teu corpo em repouso
Senti o volume
Do teu peito
Com arfar cadenciado.
Perfeito.
Senti a curvatura
Das tuas coxas
Sobrepostas
A preceito
Escondendo, porventura
Algum tesouro
Que querias guardar.
Senti o odor
Forte e doce
Da tua flor.
Não resisti.
Envolvi-te em meus braços
Acordei-te lentamente
Sorriste
E entregaste-te
E eu voei, voei, voei….

Jocunha.2008/01/16

"....Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!"

Charles Chaplin

 


Soneto 74

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões

 

 

FELICIDADE
 
Tenho te procurado por toda minha vida.
E em cada fase minha, te via de um jeito.
Quando criança, podias estar em um brinquedo, um sorvete.
Ou em um bolo com confeito.
E eras tão simples pra mim...
Mas o tempo foi passando,
Os valores e os sonhos aumentando,
Já não me bastavas em simplicidades.
Queria-te como um carro, uma moto,
Ou como uma viagem com mochila nas costas,
E mais uma vez o tempo passou,
E hoje, as responsabilidades me fazem te ver ausente,
Não me apareces mais em presentes, tudo ou quase tudo já tem.
Talvez a tenha abandonado por ter-me iludido às posses com tanto
empenho.
E te menosprezei tentando te comprar.
Achava que assim seria mais fácil tê-la.
E esqueci-me de quando cavalgava ao teu lado,
Montado em um cavalo alado,
Sem ter pressa...ou onde se chegar...

Aramis

 

   Olhos da saudade

Olhar perdido no espaço
A dor da saudade é cruel
Lágrima tem gosto de sal liquido
Dilacera e queima como fel
Falta do teu abraço
Uma tremenda vontade
De sentir o entrelaço
Para o tormento amenizar
E junto essa saudade matar

Lembrança do teu carinho
A mágica união das palavras
Vem surgindo de vagarinho
Suavidade daqueles momentos
Sussurrando a me dizer
Não precisa sentir medo
Estarei sempre aqui com você.

Das noites a navegar
Dos passeios junto ao mar
Das juras de amor eterno
Dos sonhos virar real.
Inerte perdida nesse vazio
Na alma um escuro frio
Meu corpo que reclama
Minha voz que te chama
Vem correndo me amar.

       05/01/008
                 Mendi

 

   Soneto da Mulher ao Sol


 
Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.

Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pelo úmido, e um sorriso
`A flor dos lábios entreabertos para o gozo.

Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda, com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce

E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixes a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir...

 
Vinicius de Moraes

 

Beijo Eterno

 

Quero um beijo sem fim,

Que dure a vida inteira

e aplaque o meu desejo!

Ferve-me o sangue.

Acalma-o com teu beijo,

Beija-me assim!

O ouvido fecha ao rumor

Do mundo, e beija-me, querida!

Vive só para mim, só para a minha vida,

Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz

Dormindo em calmo sono a calma natureza,

Ou se debata, das tormentas presa,

Beija inda mais!

E, enquanto o brando calor

Sinto em meu peito de teu seio,

Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,

Com o mesmo ardente amor!...

Diz tua boca: "Vem!"

Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama

Todo o meu corpo que o teu corpo chama:

"Morde também!"

Ai! morde! que doce é a dor

Que me entra as carnes,
e as tortura!

Beija mais! morde mais!

que eu morra de ventura,

Morto por teu amor!

Castro Alves

 

POEMA 20
(Pablo Neruda)


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis.

Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.

Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.

Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo.

   

 


Dado

Livro

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- 01/11/2011 a 30/11/2011
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- 01/09/2011 a 30/09/2011
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Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar

Cora Coralina